José Rui Meneses e Castro, Co-CEO e fundador do MAP Group, é o 84º convidado do podcast “E Se Corre Bem?” do Eco.
Formado em Engenharia Civil, no Instituto Superior Técnico, confessa que sempre sonhou tornar-se engenheiro, muito por influência do seu pai, que também seguiu esse caminho e era professor no Técnico. Depois de terminar o curso, a ambição passava por chegar à presidência de uma multinacional, mas uma “falha de mercado” levou-o a criar uma solução e a fundar a sua própria empresa, o MAP Group.
“O Zé Rui pequenino já pensava ser engenheiro. Não me lembro de querer ser outra coisa. Então tirei o curso no Técnico, muito exigente, mas foi uma excelente base porque me criou a capacidade de superar desafios. Fiz o curso nos cinco anos e fui pai no final da faculdade. Foi uma grande aventura e uma grande responsabilidade porque não trabalhava e tinha 21 anos“, começou por referir José Rui Meneses e Castro.
A paternidade precoce levou a que, numa fase inicial, levou José Rui a aceitar o apoio dos avós para sustentar a sua família, mas garante que o seu objetivo sempre foi libertar-se desse apoio o mais rapidamente possível: “Assumi uma família com alguma responsabilidade, com apoio efetivamente, mas não me encostei e isso moldou-me. Por isso, quando acabei, comecei logo a trabalhar e estava muito motivado a fazer bem à primeira para ganhar a minha independência.”
Começou na Somague, na parte comercial e, apesar de estar “cheio de vontade ir para a obra”, seguiu o conselho do administrador comercial que lhe fez a entrevista e lhe recomendou começar por esta área para “ganhar mais sensibilidade”. “Ele disse-me que, desta forma, eu ia estar inserido e conhecer o ambiente todo da empresa para quando, mais tarde, precisasse de recorrer seja a quem for, já conhecer as pessoas. Disse-me que, assim, eu ia saber o que custa angariar um negócio e isso ia fazer com que, quando angariasse um e o tivesse de produzir, ia cuidar muito melhor dele porque sabia a dificuldade que é angariá-lo“, contou.
E assim foi. Depois de dois anos na área comercial, sentiu que estava na altura de ir para a obra e, quando conseguiu angariar um novo projeto, pediu para o executar e deram-lhe essa oportunidade: “Fui assumir um cargo de direção de obra nesse projeto, muito novo. Tive dois anos na área comercial e, depois, com 24 anos, assumo funções de direção de obra, que já era algo com bastante responsabilidade, para fazer um projeto turístico residencial em Torres Vedras, o Campo Real”.
O projeto foi bem-sucedido, o que fez com que continuasse a assumir cargos de direção de obra, mas há um momento em que teve de tomar uma decisão estratégica para a sua carreira e decidiu sair da Somague para entrar numa pequena promotora, a The Edge Group. “Fui trabalhar como diretor técnico deste grupo de promoção imobiliário, que estava a nascer, mas achei que era importante porque ia trabalhar na área do investimento imobiliário. Eu queria perceber o ciclo todo e aprendi muito em termos imobiliários. Entretanto, também tirei um mestrado em gestão imobiliária, no ISEG, e foi nesta altura que nasceu a semente do MAP”, explicou José Rui.
“Eu tinha duas opções: ou continuava numa carreira corporativa como engenheiro e gestor ou dedicava-me 100% a algo meu. E é aí que nasce a ideia da MAP com o Diogo Abecasis, meu amigo, e ainda hoje somos sócios. Eu vi uma oportunidade quando percebi que os investidores tinham dificuldades em contratar empresas de construção porque, na altura da crise imobiliária, as grandes empresas faliram e muitos desinteressaram-se pelo mercado português. Também percebia que o setor era olhado com desconfiança, era mal visto, e chateava-me haver este estigma associado ao incumprimento na construção quando estava repleto de grandes profissionais“, continuou.
Assim sendo, para colmatar estas falhas, decidiu criar a MAP, juntamente com o seu sócio, quando ainda estavam a trabalhar para outras empresas: “Alugámos uma salinha por cima do Teatro Villaret e contratamos duas pessoas para trabalharem connosco em part-time. Pagávamos essas pessoas com os nossos salários, que recebíamos das empresas onde ainda trabalhávamos. Isto foi uma decisão de risco, mas que eu gostei de tomar”.
Esta decisão de risco acabou por fazer nascer a MAP, uma construtora que os obrigava a trabalhar fora de horas e aos fins de semana. “À noite e ao fim de semana, eu andava a tentar remodelar cafés, apartamentos, e a pintar paredes. Começamos através de um amigo, que remodelou um apartamento e nos consultou. Portanto, começou com o passa a palavra e o que nos permitiu ir entrando mais rápido no mercado foi o facto de esses meus amigos me verem como uma pessoa de referência no setor, tal como também viam o Diogo, e eu acho que isso faz toda a diferença“, admitiu José Rui.
Hoje a empresa tem 13 anos e conta fechar 2026 com mais de 150 milhões de faturas e 300 funcionários diretos. Apesar de ter começado como uma construtora generalista, hoje em dia o MAP Group fecha o ciclo completo do investimento imobiliário: “Temos a MAP Engenharia e Construção, que é uma construtora generalista que constrói todo o tipo de empreendimentos, e depois criamos mais duas empresas de construção – a Villas, de construção de luxo; e a Map Spaces, do mercado de fitout. Depois tenho uma empresa de property management, que faz a gestão e a manutenção dos edifícios. E, além disso, desenvolvemos investimento imobiliário numa perspetiva de co-investimento em alguns projetos“.
“Eu costumo dizer que estamos no início ainda. Eu quero que o MAP Group seja uma empresa global, por isso a internacionalização vai ter que ser obrigatória. No fundo, acho que consegui o que eu idealizava quando estudava no Técnico, que era vir a líder de uma grande organização. Isso veio a suceder-se numa empresa criada por mim, mas ainda quero que a organização seja muito maior. Vou trabalhar para isso e vai correr bem”, concluiu.
Aceda à notícia completa sobre a entrevista de José Rui Meneses e castro no Eco – José Rui Meneses e Castro, Co-CEO e fundador do MAP Group, é o 84º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”
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