Artigo de Opinião

A CRIATIVIDADE NASCE DA TENSÃO. Por Adriana Coutinho, Diretora de Marketing & Comunicação do MAP Group

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Onde nasce uma boa ideia? Num momento de inspiração individual ou no encontro, por vezes desconfortável, entre diferentes formas de olhar para o mesmo problema?

Neste artigo de opinião, Adriana Coutinho, Diretora de Marketing & Comunicação do MAP Group, parte da sua própria experiência profissional e pessoal para refletir sobre a criatividade, a confiança e as relações humanas. Uma reflexão sobre a importância de questionar o que existe, aceitar o confronto de perspetivas e reconhecer que algumas das melhores ideias começam numa pessoa, mas raramente crescem sozinhas.

Costuma dizer-se que a criatividade é um dom, ou quase sempre descrito como um talento misterioso, reservado a artistas, inventores ou génios capazes de imaginar aquilo que mais ninguém vê. Acredito profundamente nesse dom. Respeito-o e admiro-o.

Há artistas cuja sensibilidade é irrepetível e cuja obra nasce de um lugar tão íntimo e único que dificilmente pode ser explicado. Mas seria injusto concluir que a criatividade apenas a esse universo. Ela manifesta-se todos os dias, nos contextos mais improváveis, e somos nós quem recusa aceitar a realidade como inevitável.

Da distância entre aquilo que existe e aquilo que acreditamos que poderia existir. Entre um problema e a vontade de o resolver. Entre uma limitação e a ambição de ir mais além. É essa inquietação que nos obriga a imaginar novas possibilidades. A criar.

Penso, por isso, que a criatividade nasce da tensão. Não da tensão que paralisa, mas da que nos inquieta.

Há qualquer coisa profundamente poderosa quando quase todas as ideias começam da mesma forma: com a vontade de provocar alguma coisa por estar do outro lado. Uma gargalhada. Um sentimento de pertença. Um momento de surpresa.

Criar sempre foi, para mim, uma forma de estabelecer ligações entre pessoas. Talvez seja precisamente por isso que, aos 46 anos, olho para trás e encontro um padrão que nunca procurei construir: grande parte das minhas equipas e das minhas chefias tornaram-se minhas amigas. Sei que esta ideia pode parecer pouco ortodoxa no mundo corporativo, mas nunca aconteceu por estratégia. Aconteceu porque sempre acreditei que as melhores ideias precisam de confiança para crescer. Precisam de espaço para serem contrariadas, discutidas, aprimoradas e, por vezes, completamente transformadas.

Tenho muito a agradecer às pessoas que, ao longo da minha vida, nunca me deixaram confortável durante demasiado tempo. Foram elas que me provocaram as melhores tensões criativas e me desafiaram constantemente a ir mais longe.

Mesmo os projetos de que hoje mais me orgulho nunca nasceram de um momento único de inspiração. Nasceram do confronto saudável entre diferentes perspetivas. Muitas nasceram durante uma viagem de carro, numa caminhada pela serra ou num instante inesperado de inspiração, mas quase todas ganharam verdadeira dimensão quando deixaram de ser apenas minhas.

É por isso que, na equipa que hoje lidero, nunca celebramos apenas quem lançou a primeira centelha. Celebramos quem ajudou a mantê-la acesa. Creio que este seja, afinal, o maior ensinamento que a criatividade me deu. Criar exige coragem para imaginar algo novo, mas exige também generosidade para aceitar que uma boa ideia pode tornar-se extraordinária nas mãos de outras pessoas.

Se hoje acredito que a criatividade nasce da tensão, também sei que ela floresce na confiança. E talvez seja por isso que faça sentido terminar este texto da única forma possível: agradecendo às pessoas que todos os dias me desafiam a pensar melhor, mais longe e de forma diferente.

Uma ideia nunca é o fim da criatividade. É apenas o início da conversa.

José Rui, Diogo, Silvana e Maria: obrigada por fazerem parte do meu percurso.

Leia a entrevista na revista Green Media (páginas 81-84)